Exagerada toda a vida: minhas paixões são ardentes; minhas dores de cotovelo, de querer morrer; louca do tipo desvairada; briguenta de tô de mal para sempre; durmo treze horas seguidas; meus amigos são semi-irmãos; meus amores são sempre eternos e meus dramas, mexicanos ! (...) (Clarice Lispector)
domingo, 4 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Um gosto agosto no ar!
Agosto é um mês muito interessante. O ano passou da metade. Muitos planos não foram concretizados, um arzinho de frustração talvez. A gente pensa: Putz, o Natal tá chegando! Mas ainda faltam quatro meses para mais um ciclo se fechar e aquela vontade louca de recomeçar aparece. Quatro meses. Não dá simplesmente para achar que o ano tá acabando. Não vou me estagnar, muito menos me conformar com o que deu errado ou com o que não fiz.
Sonhos antes adormecidos estão tão à tona! Lembram do período de latência?? Fantástico! Desistir nunca foi o meu forte. Só tem um porém: Chega de sonhar entre nuvens e cores. Está na hora de passar para a fase do E X E C U T A R.
Sonhos antes adormecidos estão tão à tona! Lembram do período de latência?? Fantástico! Desistir nunca foi o meu forte. Só tem um porém: Chega de sonhar entre nuvens e cores. Está na hora de passar para a fase do E X E C U T A R.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
De olhos fechados.
Me sinto tão bem ouvindo essa música! Me dá uma enorme vontade de dançar de olhos fechados (sem ninguém olhar). Adoro fazer associações com as músicas. Ouço e sinto um cheiro de tarde de sol, cheiro de brisa leve e fresca. Me sinto reconfortada, acalentada. Quem gosta muito de música sabe como me sinto. Você pode não gostar dessa, especificamente como eu, mas deve ter uma toda sua e especial. E por favor, não pense que 93 million miles me reporta a uma pessoa. A vida é mais que lembranças! Me sinto bem e apenas estou compartilhando.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Quando estou na pior, tenho o péssimo hábito de querer ficar pior ainda. Tenho o mau-costume de ficar remoendo a dor, futucando, tirando casca para ver se dói mais. E só quando me arde por dentro. Só na hora que sinto o estômago colar e não consigo controlar as lágrimas é que parece que estou bem. Só quando destruo todos os pensamentos bons e só consigo ver o lado péssimo da coisa é que fico satisfeita. Gostaria de entender de onde vem esse pessimismo que está entranhado em mim. Não fui assim sempre. Sinto falta das ilusões. Sinto falta da inocência. Sinto falta de mim, quando não via tanta maldade em tudo. Gosto de culpar os outros. Fica mais fácil. Mas o que eu gostaria de saber mesmo é quando vai zerar. Não dizem que pagamos o que fazemos? Então tá. Nunca fui flor que se cheirasse. Então uma hora essa conta tem que bater. Tem que zerar. As coisas têm que parar de dar errado. Será que falta muito? Para mim já deu, já tá equilibrada a balança. Mas, sei lá, devo ter esquecido de jogar algo na conta. Quem bate esquece, não é?
Para tudo que eu quero descer.
Ser bipolar está meio que na moda nos últimos tempos. É engraçado, acordar mal- humorado, xingar todo mundo e até o meio dia estar tudo bem. Chega ser "fofinho" uma hora estar bem outra péssima. Quando se analisa friamente as redes sociais o que mais se vê são pessoas extremamente tristes ou entusiasticamente felizes. Espera, tem algo errado. A geração prozac já passou (nessas alturas o prozac nem faz mais efeito). Estamos vivendo uma geração vítima da rede social e parece que está tudo bem!
Estamos inseridos num momento em que as decisões giram em torno de: "como vai ficar o meu perfil se", "o que vão comentar se eu postar isto", "quantos curtirão meu momento depressão do dia". Queria muito estar exagerando (um outra qualidade/defeito que carrego), mas não. Eu faço parte deste meio. Estou vendo todos os dias. É como se a medida fosse feita baseada na quantidade de gente que movimenta sua página. Se você está feliz, você posta fotos alegres, sorrisos, festas.... Quando triste, frases dramáticas beirando ao suicídio.
Você consegue medir o relacionamento de alguém, pela quantidade de fotos que são postadas: "Nossa, fulano tirou a foto de capa com o namorado (a), estão balançados", "beltrana não tá comentando mais nada no perfil do namorado, devem ter brigado." Em contrapartida, quem está do outro lado fica meio sem saber como se comportar, pois um post "errado" e todos vão perceber o que está acontecendo.
De repente, me sinto como se morássemos todos num só condomínio. Eu sei da sua vida, você sabe da minha. E se você não me falar onde esteve eu descubro pois te marcaram em outro perfil!!! Li um texto outro dia que falava sobre esse vício. E fui me identificando com 99% da lista (o 1% eu não aceitei que também me identificava). Parece que pirei um pouco depois do choque de realidade.
Como tornar o vício numa ferramenta útil, de uso moderado para trabalho e um pouco de lazer? A sensação que tenho é que o tempo está sendo medido de forma diferente. E eu quero que parem, eu quero descer. Eu quero usar meu tempo de forma melhor. Eu quero meu lazer fora da internet. Eu quero curtir animais, paisagens fora. Eu quero não me preocupar se não tirei foto de um momento mágico, porque eu tenho certeza que vai ficar gravado em minha memória.
Os passos dos Alcoólatras Anônimos é o mínimo para essa situação. "Um dia de cada vez." Está piegas? Beirando o ridículo? Pode ser, mas estou um pouquinho satisfeita pois estou assumindo e querendo agir de forma diferente. Então estou na sua frente!
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Antes tarde do que nunca.
Roberto cresceu ouvindo o pai, polonês convicto, que homem que é homem não dá muita bola para coisas femininas. Logo cedo ouviu um "ela não serve pra você" e a partir da primeira desilusão amorosa aprendeu a selecionar até as paixões platônicas. Gostava dos amores sofridos e calados. E quando sofria, ninguém sabia.
Até que conheceu Ana Júlia. O tipo de mulher que ele nunca se interessaria. Não tinha os moldes que ele acreditava que deveria ser uma mulher para chamar de sua. Mas que raio de olhar era aquele que Ana Júlia tinha? Um sorriso que todos ao redor eram contagiados, inclusive Robertinho, que obviamente não aceitava que Jú lhe causava todo este torpor. E cada vez que ele sacudia a cabeça e falava que não pensaria mais naquela mulher, ela dava um jeito de ser mais necessária para ele, todo dia. Tão diferentes e tão iguais. Ela conseguia ter milhares de defeitos e todas qualidades possíveis. Só ela tinha tantos tipos de sorrisos quando ele se deliciava em desvendá-los.
Roberto se rendeu, mas deixou umas reservas e um afastamento necessário para sua sobrevivência, afinal seu lema era: Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim. E quando ele tinha certeza que estava blindado, uma fortaleza, Ana Júlia dava uma gargalhada que virava um som de porquinho que a deixava tão linda e irresistível.
O maior defeito de Ana Júlia era a ansiedade, ela estava num momento da vida que o sonho de casar e ter filhos estava aflorado. E Roberto não aceitaria o fato da ideia ter partido dela. Ela cobrava atenção, e ele pensava que da maneira que estava já estava de bom tamanho. Ana Júlia era antenada, vivia na internet e aderiu ao mundo hitech e queria que Roberto pensasse da mesma forma. Roberto, impávido colosso não só continuou na dele como não alimentava a manifestações públicas de amor que Ana tanto queria.
"Meu amor eu coloquei uma foto nossa e você nem curtiu!" Se lamentava Ana, enquanto Roberto pensava em algo melhor pra fazer, seu videogame por exemplo. Mas seguiam os dois, como Eduardo e Mônica, como Lampião e Maria Bonita...o diferente que se completava.
Até que Ana foi embora para Polônia. Que ironia. Ela tão sentimental, voando com seu sorriso, seus olhos e seu jeitinho de amar, para um lugar tão frio e calculista. Ela se foi porque queria mais, queria tudo e Roberto... ah, Roberto passou dias na certeza de que foi o melhor. "Ela não servia mesmo pra mim." Mas que dor era aquela que fez Roberto, o implacável, chorar e chorar e querer tudo de volta?
A dor passou (ela sempre passa), e Roberto hoje curte tudo, curte e compartilha. Aderiu totalmente a esta geração moderninha e cheia de contatos. E até isso faz lembrar Ana Júlia...às vezes pensa que poderia ter cedido antes. Cedido a tudo! Mas não, tudo está no lugar e assim permanecerá. Ana Júlia hoje é apenas uma foto com um olhar meio vazio (ele interpretou bem?) onde ele tem ímpetos de curtir. Antes tarde do que nunca.
Um dia. (Carpinejar)
Não resisti e vou postar o texto do Fabrício Carpinejar. Afinal eu senti um não-sei-o-quê, de emoção, de identificação.
Há uns dias tive este pensamento: de que o passado e as pessoas se foram junto com ele, não deve ser motivo de péssimas lembranças....
Um dia
Um dia
Um dia você vai agradecer as separações. Agradecer um por um dos rompimentos, uma por uma das fossas, uma por uma das portas fechadas em sua cara, uma por uma das infiltrações pelo pulmão.
Um dia você vai se desculpar por sofrer, você se livrará dos ressentimentos e das vinganças.
Um dia você se verá feliz por ter estado triste.
Um dia entenderá que o destino realmente faz sentido, e que a falta de sentido ainda era caminho.
Um dia você perceberá a clara diferença entre orgulho e confiança, entre obsessão e paixão, entre fantasia e sonho.
Quando você finalmente encontrar a mulher de que precisava não conservará ódio por nenhuma ex. Mesmo a mais ingrata, a mais perversa, a mais intrusiva.
Quando você descobrir que não precisou inventar a mulher que você ama, que ela existe com toda telepatia e compreensão que jurava jamais testemunhar, você olhará o passado com empatia e sincero perdão.
Será generosamente imprevisível. Não mascará fofocas, apagará os desaforos, conhecerá a gentileza de dia e o cuidado de noite. Derramará em seu sangue uma overdose de ternura. Seus olhos estarão empilhados de estrelas. Os engradados das árvores estarão sendo abertos pelo jorro da luz.
O amor é libertador, o amor é a redenção fiscal, o amor de verdade expira as sentenças.
A vontade é preparar uma farta cesta de frutas e produtos especiais para as ex-mulheres. Gastar o salário do mês combinando iguarias de fino trato.
É meu modo de mostrar que estou imensamente feliz por falhar antes e me permitir viver o essencial agora.
O ímpeto é organizar um berço de fragrâncias e champanhes, conciliar vinhos da Nova Zelândia com patês franceses. Reunir bandeiras e promessas do oceano. Montar uma manjedoura com palha ao fundo daquilo que há de melhor e mais caro na estante de importados.
Uma barca com especiarias da Índia, pepinos do México, azeitonas da Itália, ovos de codorna do Peru e doce de leite da Argentina.
Uma caixinha sortida e colorida com direito a Panetone, passas e castanhas de caju.
Uma cesta graúda com celofane amarelo que alegrava os Natais da minha infância.
E escrever apenas “Obrigado”.
Sem maiores informações.
O milagre é cristalino.
Não é possível guardar rancor.
Assinar:
Postagens (Atom)